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| A Guerra Agarrou na guerra com a mão
Fechou-a dentro dela com tanta força
que as unhas cravaram-se na palma.
Guardava dentro da mão
Todos os malefícios da guerra,
Os soldados mortos,
Os civis assassinados,
Homens, mulheres, crianças.
Quando morreu,
No velório veio
O dono da fábrica do armamento,
O presidente,
O político,
O general,
O coronel,
O major,
O capitão,
O tenente,
O alferes,
O sargento.
Todos tentaram
Abrir-lhe a mão
Para libertarem a guerra.
A mão estava hirta,
Os dedos estavam colados
À palma da mão
Com um produto desconhecido.
Não conseguiram abrir a mão
A guerra ficou presa.
Nas suas últimas disposições
Queria ser enterrado numa cova
Funda, muito funda,
Tão funda que ficasse
Perto do núcleo da Terra.
Baixavam o féretro
Até bem ao fundo
Seguidamente depositavam
Pedregulhos por cima,
Argamassa
Deixavam secar.
Voltavam a fazer o mesmo
Repetidamente
Até chegar ao topo da cova.
Por fim uma camada
De terra solta,
Um vaso com um cravo vermelho.
Queria que a guerra
Fosse enterrada nas profundezas
E nunca, nunca mais
Se libertasse.
João Magalhães
Sócio n.º 17714
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Verão Verão, a estação em que a esperança, todos os anos, renovada, de umas férias, de um encontro com amigos, de visitas a outros
países, de entrada no mar, de a lua adorar
Calor, areias douradas, o sol a aquecer-nos os ossos, o perfume das rosas a vibrar nos sentidos, o romantismo numa sombra perdida, numa serra esquecida, onde
agradecemos a vida
Reencontrar o mágico lugar, onde o nosso perfume encantou o luar, com os nossos sorrisos a embalar o mar, momentos inesquecíveis de que nunca nos vão abandonar
Cada verão é pretexto de reunião, de arraial, festas e romarias, que engolem os dias das mordomas, de garridos vestidos, carregadas de ouro, mostrando o esplendor, que herdaram das suas antepassadas
São dias passados, nas esplanadas, na descontração de que os ponteiros do relógio não nos arranharão, não nos sufocarão, não
nos arrancarão dos sonhos, para nos atirarem contra a multidão
Saborosos momentos de confraternização,
com amigos e desconhecidos, minutos e horas, sem controlos, sem pressas, a desfrutar o doce ar de quem não precisa correr, para respirar
Quente verão, de searas douradas, de espigas inchadas, de ceifeiras trigueiras a sonharem com o dia da adiafa, para dançarem à volta dos mastros
Verão, tempo de encontros, reencontros, beijos, abraços, de dias felizes e alegres, para
passarmos o ano a desejar que cheguem as férias.
José Silva Costa
Sócio n.º 17296
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Amor-próprio ou egoísmo próprio Livra-te de ti mesmo
Amarrado que estás na tua teia.
O amor-próprio é egoísmo sem termo,
Uma prisão em tua própria cadeia.
Livra-te de ti mesmo
Construindo uma extensa ponte Transforma o amor-próprio num ermo
E o amor ao próximo numa fonte. O amor-próprio que teu ego criou Ele próprio te jogou na solidão
Foi um vento que em ti soprou Sem te pedir ordem ou permissão.
Ter esse amor, que não vai além de ti,
Impede-te de buscar a voz do além. Não queiras ir sozinho, caminhar por aí, Arrasta quem por ti muito amor tem. Parte em busca da verdadeira identidade
E tudo ganharás alimentando a
partilha.
A tua disponibilidade leva-te à liberdade
No amor ao próximo verás uma maravilha. José M. S. Caria
Sócio n.º 17296
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