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A imaginação é o limite (n.º 60)

A imaginação é o limite (n.º 60)

Os associados do MAIS têm nesta página oportunidade de publicar poemas, pequenos contos e desenhos da sua autoria.
A seleção das obras enviadas rege-se por critérios editoriais. Os textos para publicação não podem exceder os dois mil caracteres

​​Poesia ​​Desencontra-me, por favor… e encontra-me! ​​A IA e o poema de amor
Não estamos aqui de passagem Porque a vida nos foi dada
Mas chegada a última viagem
Não podemos levar nada.
A última viagem não tem retorno
E o canal pode ser estreito
Só podemos levar como adorno
O bem que tivermos feito

Nuno Goulart
Sócio n.º 16607

Se me encontrares nas brumas da saudade,
esconde a imagem de espuma branqueada,
as deceções gélidas de inebriantes ilusões,
e a expectativa etérea de levantar emoções.

Se me encontrares numa alba névoa do sonho
Esconde o teu impudor de mentira, medonho
A audácia destemperada de hipócrita remissão,
E o lauto desenvergonhado abraço de perdão.

Se me encontrares por obra e graça do destino,
vagueia pelos remorsos das tuas fragilidades,
reinventa um interior que seja mais condigno.

Se te vergastares em contrição de seres indigno
e se da tua vil maledicência não tiveres saudades,
Então enleia-me nos braços e chama-me, amigo!

José M. S. Caria
Sócio n.º 17496

Pedi à IA
Para te
Fazer um poema de amor.
A IA perguntou-me:
– O que é o amor?

Tentei explicar-lhe
O que era
O melhor possível.
O amor não se traduz
Em meras palavras,
Sente-se.

Sente-se tanto
Que o poema
Acontece.

A IA
Ficou confusa
Foi questionar
O algoritmo
Sobre
O que era o amor.
O algoritmo respondeu-lhe:
– 8X8; 64X64; 4096X4096

Após a consulta
A IA fez-te
O poema de amor:
“166777216”.
Depois com uma gargalhada
Ripostou:
– Percebi, o amor
Não se traduz
Em palavras.
O amor são números.

Desconcertado,
Desliguei a IA.
Escrevi-te um
poema de amor
à moda antiga,
desenhado
no vidro da janela.

João Magalhães
Sócio n.º 17714
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