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A imaginação é o limite (n.º 57)

A imaginação é o limite (n.º 57)


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​Páscoa é mistério da salvação!

Páscoa é verdade, é contrição,
É martírio, é doçura, é Paixão,
É abraço de fraterno enleio,
Cristo retornou ao nosso meio
Páscoa, são vivas chamas
De aleluias, e alegres hossanas.

É o fascínio o mistério da comunhão
Em Cristo Senhor, nosso irmão!
Páscoa é gesto de gratidão
De saber ao outro perdoar,
Mesmo sem ele pedir perdão
Páscoa, é verdade é libertação,
É o voltar à vida, do mal despida,
Páscoa é vitória, e do amor a RESSURREIÇÃO.

José M. S. Caria
Sócio n.º 17496
​O Sonhador

Queria de volta a casa amarela,
não a de João César Monteiro,
não queria ser película
nem rodar no projetor
escondido atrás de uma
pequena abertura
na sala de cinema.

Queria de volta a casa amarela,
aquela onde quase nasceu,
cresceu.
Onde andou de triciclo no quintal,
para onde fugiu,
no dia em que disse merda,
para não levar pimenta na língua.

Queria de volta a casa amarela,
não a de João César Monteiro,
aquela onde sonhou
ser o herói das aventuras.
do Cavaleiro Andante.
onde lia Enid Blyton,
O Mundo Ri e o Júlio Vilhena
e às escondidas
A Freira no Subterrâneo
de Camilo
ou O Crime do Padre Amaro
de Eça.

Queria de volta a casa amarela,
não a de João César Monteiro,
aquela onde namoriscou,
dançou, riu.
Aquela onde beijou
pela primeira vez
a sua primeira namorada
e tremeu.
E todas as outras
que também foram
namoradas da adolescência,
beijou-as
mas não tremeu.

Queria de volta a casa amarela,
não a de João César Monteiro,
onde ao serão se discutia
o rumo do país, da guerra,
da não liberdade,
da censura,
do medo de falar.

Queria de volta a casa amarela,
não a de João César Monteiro,
aquela onde falava
de Cohn Bendit,
de Sartre, Beauvoir
Ionesco,
de Beckett
sempre à espera
que Godot
tocasse à campainha
a altas horas
da noite
e viesse
interromper
o jogo de damas.

Queria de volta a casa amarela,
não a de João César Monteiro,
onde ouvia Chopin, Gershwin, Baez,
Mahalia Jackson. Dylan,
Zeca Afonso.

Queria de volta a casa amarela,
não a de João César Monteiro,
a da Nina, a cadela do protesto
e do papagaio
que o chamava pelo nome.

Queria de volta a casa amarela,
não a de João César Monteiro,
aquela em que a mãe
lhe ajeitava
a roupa da cama
e ele fingia que dormia.

Queria de volta a casa amarela,
não a de João César Monteiro,
aquela que sonhava
que era eterna,
parada no tempo,
onde as rosas
de Santa Teresinha
floresciam
no quintal.

Queria de volta a casa amarela,
não aquela em que se partiu
a película
no dia em que levou
a mãe de vestido amarelo
para o hospital

Queria de volta a casa amarela
onde o inverno
era primavera.

João Magalhães
Sócio n.º 17714
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