João Ferreira
A questão das reformas no setor bancário tem estado, há muito, no centro do debate sindical. O momento atual representa, porém, um passo em frente: a decisão de aprofundar o tema com maior rigor, transformando a reflexão acumulada em decisões concretas. Mais do que voltar a discutir diagnósticos conhecidos, importa agora construir soluções e apresentar propostas sólidas junto das instituições bancárias e das entidades competentes.
O trabalho desenvolvido pelo MAIS, em conjunto com o SBN e o SBC, foi decisivo nesse percurso. Ficou demonstrado que estamos perante um regime específico, marcado por fragilidades na articulação com o regime geral da Segurança Social. Essas fragilidades abriram espaço a interpretações indevidas e a distorções que já não podem ser ignoradas e que exigem correção urgente.
A opção pela regulamentação legal não surge como último recurso, mas como uma escolha consciente. Quando a negociação é recusada e a via judicial não assegura eficácia nem respostas em tempo útil, torna-se necessário avançar com uma solução que tenha força de lei. É esse o caminho assumido. E é também por essa razão que esta Direção está profundamente empenhada neste processo: para que o tema deixe de ser apenas debatido e passe, finalmente, a ser resolvido.
Se nas reformas o problema é estrutural, na negociação salarial o problema é, sobretudo, de atitude. A contraproposta apresentada pela banca para 2026, limitada a 2%, não suscita ambiguidades: é claramente insuficiente. Mais do que isso, revela uma desconexão entre os resultados do setor e o justo reconhecimento do trabalho dos seus profissionais. Não estamos perante uma questão técnica ou de margem negocial, mas perante uma opção.
Num setor que continua a registar resultados robustos, insistir em atualizações salariais mínimas é difícil de justificar. O MAIS rejeita essa lógica e não acompanha uma abordagem que desvaloriza o contributo diário dos trabalhadores.
Há um denominador comum entre reformas e salários: a necessidade de equilíbrio. Equilíbrio nas regras, no caso das reformas; equilíbrio no reconhecimento, no caso dos salários. Quando esse equilíbrio falha, não basta
assinalá-lo, é necessário e imperativo agir.
E agir implica compromisso. Compromisso com os trabalhadores, com a defesa dos seus direitos e com a construção de soluções justas e duradouras. Foi esse o compromisso assumido. E é esse compromisso que continuará a orientar, sem ambiguidades, a ação destes Corpos Gerentes.

