Os funcionários eventualmente atingidos pela reestruturação do Deutsche Bank vão ficar, ao que tudo indica, sem o apoio das estruturas sindicais. Isto porque o banco em Portugal não subscreveu o Acordo Coletivo de Trabalho (ACT).
“Não tivemos grande sucesso na sindicalização dos trabalhadores do Deutsche Bank em Portugal, nos últimos anos, e que funciona com balcões como se fossem franchising da instituição. Foi uma pena porque, se tivéssemos tido êxito, hoje os trabalhadores teriam uma defesa diferente. Curiosamente, e depois de tantos anos de crise, agora é a Alemanha que lhes vira as costas”, afirmou Rui Riso, em declarações à Agência Lusa.
Segundo o presidente do MAIS, no Deutsche Bank, em Portugal, os trabalhadores sindicalizados “são poucos” e, por consequência, não se espera grande envolvimento no que diz respeito a apoio jurídico.
“Eles têm contratos individuais de trabalho, e alguns até podem remeter os casos para um instrumento como o nosso — porque pode existir abertura jurídica para o nosso envolvimento — mas a verdade é que o número de sindicalizados do Deutsche Bank não tem expressão”, explicou, recordando que qualquer trabalhador em Portugal “está sempre”, no mínimo, abrangido pelo Código do Trabalho.
“Uma das coisas que faz com que se verifique uma sindicalização muito forte no setor é, sem dúvida, o apoio na saúde mas como o Deutsche Bank em Portugal não é subscritor do ACT os trabalhadores não têm o nosso apoio em termos de saúde tendo optado por seguros de saúde privados”, acrescentou.
A sucursal do Deutsche Bank em Portugal entrou em processo de reestruturação, estando previsto o fecho de 15 agências – sobretudo em Lisboa e no Porto -, a abertura de seis centros de investimento e a saída de alguns trabalhadores, segundo declarações do presidente do banco.

