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Bancários: sindicalismo transparente

O Jornal Económico publica hoje um artigo de opinião de Rui Riso, presidente da Direção do MAIS. O site do sindicato divulga o texto na íntegra.

O setor bancário é, e provavelmente continuará a ser por muitos anos, um dos que tem mais trabalhadores sindicalizados. E ter mais não é ter mais cinco ou dez por cento, ter mais é ultrapassar os oitenta por cento de sindicalização, muito acima do que acontece nos países do norte da Europa. Ao contrário do que se quer fazer crer, que o sindicalismo é um obstáculo ao desenvolvimento económico, Alemanha, Suécia, Noruega, Dinamarca são países desenvolvidos e com elevados níveis de trabalhadores sindicalizados. Países modelo no bem-estar social.

Porquê, então, esta cruzada em Portugal contra os sindicatos? Talvez porque o sindicalismo de terra queimada tenha queimado o próprio sindicalismo. O sindicalismo do conflito esgota-se no próprio conflito e quando acaba o conflito acaba a visibilidade da luta.

O sindicalismo da negociação terá menos visibilidade, terá direito a menos tempo de antena, não aparecerá tanto nas primeiras páginas, mas é o que alcança acordos, o que contribui para a paz social, o que compreende as alterações sociais, o que contribui para a melhoria das condições de vida dos trabalhadores de hoje e também dos de amanhã. O sindicalismo da negociação é o que põe o emprego em primeiro lugar, e pôr o emprego em primeiro lugar num setor e numa sociedade que se dissolve em novos processos, como a digitalização, é decerto o sindicalismo de amanhã.

O Sindicato dos Bancários do Sul e Ilhas é o maior sindicato da UGT e o maior do País. Porquê? Porque tem mais sócios, sejam trabalhadores no ativo ou reformados. Conjuntamente com o Sindicato dos Bancários do Centro e o Sindicato dos Bancários do Norte, constitui o maior agrupamento sindical de bancários.

Sabemos da importância da UGT enquanto negociadora e subscritora de acordos, diferente dos que se sentam à mesa em todas as reuniões para, no fim, se afastarem porque apenas se reveem na contestação permanente; e diferente dos que se insinuam a cada negociação como parceiros indispensáveis anunciando uma representatividade que não têm e uma capacidade negocial que não se lhes reconhece.

Somos transparentes. Assumimos a nossa dimensão, quer em número de sócios, quer em volume orçamental. Estranhamos ser confrontados frequentemente com números divulgados por outros sindicatos do setor. O rigor no que fazemos e dizemos permite-nos ter o reconhecimento dos bancários.

O sindicalismo não se faz a metro. O sindicalismo de ontem, de hoje e seguramente o de amanhã, faz-se com convicção e dedicação, utilizando os instrumentos que a legislação coloca ao nosso dispor e, pela nossa parte, privilegiando sempre a negociação.

Os sindicatos são e serão sempre o mais forte que os mais fracos têm, e numa relação de trabalho os trabalhadores são os mais fracos. Mas o que torna os sindicatos mais fortes é a confiança que neles depositam os trabalhadores e nem tanto o exibicionismo que outros patenteiam.

Rui Riso, Presidente do SBSI


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