O presidente
do Mais garantiu hoje, no Parlamento, que perante esta época negra para os
bancários, o Sindicato vai continuar sempre a defender os trabalhadores.
Os sete sindicatos dos bancários foram esta manhã,
dia 29 de julho, ouvidos em audiência na comissão parlamentar de Trabalho e
Segurança Social, na sequência dos recentes anúncios de mais despedimentos no
setor.
Tal como
tinha sido já denunciado, o MAIS e as restantes estruturas sindicais reiteraram
perante os deputados da Comissão o clima de “terror” e de
“assédio” que se vive na banca, especialmente no Millennium bcp e no Santander,
devido aos processos de rescisões em curso, que não são mais do que
despedimentos camuflados.
“Os sindicatos não vão baixar os
braços”, garantiu o presidente do Mais Sindicato, António Fonseca, na
audição na Comissão de Trabalho, frisando que “os bancários estão a viver,
talvez, um dos momentos mais trágicos da sua existência”.
Concertação
Como a UGT já tinha denunciado em carta ao
Governo, os sindicatos reafirmaram a suspeita de que existe concertação dos
bancos na forma como estão a pressionar os seus trabalhadores para aceitarem as
propostas apresentadas e saírem dos respetivos bancos.
Nesse sentido, sublinharam as semelhanças de processos, com
os bancos a recorrerem aos mesmos gabinetes jurídicos, apresentando os mesmos
valores compensatórios, cartas e formas de abordagem idênticas e prazos e
minutas semelhantes.
Ameaça
Os sindicatos denunciaram ainda o “assédio
moral” que é a ameaça de despedimento coletivo, que está a ser utilizado como forma de
“intimidação” e “pressão” sobre os trabalhadores, impulsionando-os a aceitar a saída
já, com receio de uma situação pior mais tarde.
Salientando a infeliz ironia de os processos de redução de
pessoal serem simultâneos à apresentação de lucros –
demonstrando a sua insensatez e insensibilidade social – as estruturas sindicais
solicitaram a intervenção da Autoridade da Concorrência e do Banco de Portugal nestes
processos de despedimento e de encerramento de agências.
Na audiência, os Sindicatos da UGT – Mais
Sindicato, SBC e SBN – entregaram um documento no qual explanam a situação do
setor (pode ser consultado no final, em anexo).
Preocupação
Recorde-se
que o Santander pretende dispensar 685 trabalhadores, enquanto no BCP as saídas
em curso superam as 800 e ambos os bancos já admitiram recorrer a “decisões
unilaterais” – ou seja, ao despedimento coletivo – se não obtiverem por outras
vias o número de saídas “desejáveis”.
Esta situação levou os sete sindicatos do
setor a unirem-se pela primeira vez na história e promoverem, no dia 13 de
julho, uma manifestação em frente à Assembleia da República.
Leia o documento do Mais Sindicato, do SBC e do
SBN aqui

