Quase um milhar de bancários estiveram esta tarde
concentrados frente à Assembleia da República em defesa dos postos de trabalho,
numa ação de luta conjunta aos sete sindicatos do setor.
A manifestação da tarde de hoje, dia 13 de julho, foi
assumida por todos como a primeira iniciativa de uma luta que vai continuar face à
pretensão da banca de eliminar milhares de postos de trabalho.
“Esta iniciativa é o início da luta dos bancários, muitas
outras se vão seguir. E estaremos na luta sempre, sempre, junto dos bancários”,
garantiu António Fonseca, presidente do Mais Sindicato, na sua intervenção frente
ao Parlamento.
O presidente do MAIS lembrou que na última década mais de 10
mil trabalhadores saíram da banca, através de rescisões, reformas antecipadas e
pré-reformas. Mas agora o ataque que está a ser feito à classe é brutal, com
bancos, como o Santander e o BCP, a pretenderem cortar cerca de 25% dos postos
de trabalho.
Outras funções
A digitalização é uma realidade que tem de ser considerada,
embora não à custa somente dos postos de trabalho. “Defendemos que os bancários
sejam colocados a exercer outras funções”, disse António Fonseca, criticando os
bancos por assediarem os bancários para saírem ao mesmo tempo que contratam em
regime de outsourcing.
Os sindicatos criticam também a forma concentrada como o processo
está a ser conduzido. “Exigimos que as saídas sejam feitas de forma gradual.
Entendemos que pode haver bancários com outros projetos de vida e aceitem as rescisões,
mas há outros que querem ficar no banco e lutaremos pela defesa dos seus postos
de trabalho”, frisou o presidente do MAIS.
Poder político
Os sindicatos escolheram para local da manifestação o
Parlamento por considerarem que é tempo de o poder político intervir.
“Estamos aqui para exigir que o poder político entenda a
nossa luta. Ao longo de dez anos tem sido uma luta silenciosa, mas basta! Está
na hora de nos manifestarmos e gritarmos para fazermos ouvir a nossa voz”,
acentuou António Fonseca.
O objetivo dos sindicatos é que
os processos de reestruturação em curso tenham em conta os interesses dos
trabalhadores, sejam faseados no tempo e se façam sobretudo através reformas
antecipadas. E repudiam absolutamente a ameaça do despedimento coletivo.
Limites
Carlos Silva, Lucinda Dâmaso e vários membros da Comissão Executiva
da UGT estiveram presentes na manifestação para mostrar o apoio da central
sindical à luta dos bancários.
“O Governo, perante esta situação – e a pandemia não esconde
tudo – deve criar limites àquilo que é o despedimento. Há necessidade de
estabilizar o setor, que só pode ser estabilizado defendendo os trabalhadores,
os postos de trabalho”, sublinhou Carlos Silva.
Face à dimensão social que o “Governo tanto apregoa”, é
altura “que o Governo e o Parlamento venham defender os bancários”, acrescentou
o líder da UGT.
Elogiando os Sindicatos por “de uma forma inédita e
histórica conseguiram unir-se no sentido de defender a classe, os postos de
trabalho, a estabilidade do setor”, Carlos Silva salientou: “Uma coisa é um
banco apresentar aos sindicatos uma proposta, outra coisa são dois bancos. Mas o
que acontece são todos os bancos. Esta situação é uma calamidade nacional.”
Antes do início da concentração, os presidentes dos sete
sindicatos dos bancários (Mais Sindicato, SBC, SBN, STEC, SIB, SNQTB e Sintaf)
foram recebidos por Edite Estrela, vice-presidente da Assembleia da República.
“Não somos números”
Vestindo t-shirt com a frase “Não somos números”, os
bancários empunharam cartazes em que se podia ler “Não aos despedimentos”, “Bancários
de luto”, “Exigimos a manutenção do emprego” e “Para os banqueiros milhões,
para os bancários tostões”, entre outros.

