Outros artigos:

MAIS explica negociações com BCP aos trabalhadores

​

As pretensões do banco e as propostas dos
Sindicatos da Febase para um eventual acordo de ajustamento salarial estiveram
em debate nas reuniões do MAIS com trabalhadores.
 
Esclarecer
os trabalhadores do BCP sobre o âmbito das negociações entre os sindicatos da
Febase e a administração do BCP foi o objetivo das reuniões de 27 e 28 de
novembro, no Tagus Park e em Lisboa, para as quais o MAIS convocou todos os
sócios no banco, à semelhança do que SBN e SBC fizeram nas suas áreas.
Apesar da
disponibilidade da Direção, a adesão foi diminuta face ao universo de sócios do
Sindicato no BCP, o que pode pressupor que os trabalhadores aguardam ainda a
evolução do processo.
Os
encontros decorreram num ambiente calmo, com um ou outro momento de tensão,
natural em assembleias onde o futuro individual e coletivo está em discussão.
Os trabalhadores presentes colocaram dúvidas, a maioria das quais sobre
questões como as implicações do despedimento coletivo, o processo de reforma
antecipada ou quais os escalões salariais e o valor percentual dos cortes em
negociação.
Paulo
Alexandre, responsável pelo Pelouro da Contratação, fez um breve resumo dos
fatores que levaram o banco a propor o ajustamento salarial aos sindicatos.
“Inicialmente o BCP queria aplicar no banco a tabela do ACT do setor bancário e
partir dessa base proceder aos respetivos ajustamentos salariais. Foi assim que
começaram as conversações”, explicou.
O
dirigente do MAIS explanou a contraproposta sindical, que salvaguarda sempre o
vencimento base (valor do nível), as diuturnidades e o subsídio de refeição. “O
nosso principal objetivo é evitar o despedimento coletivo, defendendo o maior
número possível de postos de trabalho. Por outro lado, se houver acordo os
trabalhadores que optarem por rescindir o contrato ou pela reforma antecipada
fá-lo-ão em melhores condições”, sublinhou.
 
Acordo será para todos
 
Paulo
Alexandre adiantou que caso venha a haver um acordo, este será temporário e, no
final do prazo, o banco devolverá aos trabalhadores o que lhes foi retirado por
força do ajustamento salarial. Também será retomado na íntegra o ACT do BCP
atualmente em vigor.
Em
resposta a um trabalhador, o coordenador do Pelouro da Contratação adiantou que
os direitos sociais manter-se-ão inalterados enquanto vigorar o acordo.
“Estamos a
negociar, nada está ainda acabado”, frisou Paulo Alexandre.
O
dirigente adiantou ainda que só haverá acordo se a sua aplicação se estender a
todos os trabalhadores. “Caso se chegue a entendimento, o acordo será único e
celebrado com todos os sindicatos”, disse, acrescentando que o BCP solicitará
ao Governo a publicação de uma Portaria de Extensão, um instrumento normativo
que impõe o acordo a todo o universo.
 
Despedimento coletivo
 
Numa
abordagem meramente jurídica, José António Costa, advogado do MAIS, explicou o
procedimento inerente ao despedimento coletivo.
Considerando
o despedimento coletivo “a bomba atómica da relação laboral”, o advogado
referiu que o processo se inicia pela explicação da motivação. No caso do BCP
existe a imposição de redução de pessoal por parte da Comissão Europeia a
instituições cofinanciadas com verbas europeias, além da autorização da DGComp.
“Esta motivação passa o crivo da jurisprudência”, considerou.
“A
alteração ao Código do Trabalho tornou o despedimento coletivo um mecanismo
muito mais flexível, que já pode ser utilizado por empresas que não estão em
pré-insolvência”, disse José António Costa, concluindo: “É esta abordagem que
tem de ser feita à possibilidade de despedimento coletivo no BCP.”
 
Partilhar: