Outros artigos:

Forte adesão marcou greve geral

​Ao fim do dia de ontem, o secretário-geral da UGT destacou a “fortíssima adesão” dos trabalhadores à greve geral, tanto no setor público como no privado. Na banca, a paralisação foi mais sentida na CGD.

 
A greve geral de ontem, 27 de junho, convocada pelas duas centrais sindicais, registou uma adesão expressiva dos trabalhadores. Segundo balanço feito pelo secretário-geral da UGT ao final do dia, a paralisação “ultrapassou os 50 por cento dos trabalhadores no ativo”, com uma “adesão bastante substancial do privado”.
Transportes, saúde e organismos públicos foram os setores onde a paralisação mais se fez sentir, com muitos serviços encerrados e transportes sem circularem.
No setor financeiro a greve também teve reflexos, especialmente na CGD. Balcões estiveram encerrados e outros funcionaram a meio gás.
 
Concentração
 
Durante a tarde, ativistas e dirigentes sindicais das organizações da UGT concentraram-se frente ao Ministério das Finanças. A Febase esteve presente em força, representada pelos principais dirigentes dos sindicatos que integram a Federação.
O MAIS marcou presença com uma forte delegação. Além dos presidente e vice-presidente, estiveram na concentração quase todos os membros dos Corpos Gerentes.
Presentes estiveram também os dois anteriores líderes da UGT, Torres Couto e João Proença.
Na ocasião intervieram representantes sindicais da administração pública, da saúde, da educação, dos transportes e das Comissões de Mulheres e da Juventude.
Por sua vez, a presidente da UGT referiu que “os trabalhadores aderiram maciçamente a esta greve”, prova de que “os portugueses rejeitam as políticas deste Governo”.
“Os portugueses disseram hoje que exigem uma mudança de políticas, que não aceitam esta política fiscal, que rejeitam uma reforma do Estado sem sentido e que mais não é que destruir emprego”, disse frisou Lucinda Dâmaso, acrescentando que os portugueses, no ativo e reformados, “exigem que os seus rendimentos sejam repostos”.
Um discurso retomado por Carlos Silva, que antes de entregar uma moção da central sindical no Ministério das Finanças sublinhou que o Governo “esqueceu-se que os compromissos sociais também têm de ser respeitados”.
“Primeiro nós. Primeiro mata-se a fome, depois pagam-se as contas”, sublinhou, numa referência à situação social portuguesa devido às medidas tomadas para cumprir o pagamento do empréstimo à troika.
 
Luta não terminou
 
Uma delegação da UGT liderada pelo secretário-geral fez a entrega da moção no Ministério. O documento, explicou Carlos Silva, justifica a paralisação, mantendo como exigências os pressupostos expressos no pré-aviso de greve: não à austeridade, à retirada de direitos, à diminuição de salários e ao empobrecimento; sim ao Estado social, à negociação coletiva, ao trabalho com direitos, ao emprego e à defesa dos reformados e pensionistas.
Face ao resultado da greve, a UGT quer saber se “temos um recuo do Governo ou se vai manter-se intransigente”, frisou Carlos Silva.
Um dos objetivos da greve geral, sublinhou, foi “abrir espaço ao diálogo”, especialmente na concertação social que, disse, “está fragilizada mas não terminada”.
“Não é de costas para os trabalhadores, contra os portugueses, que se governa o País. Esta luta só termina quando tivermos a convicção de que o Governo não faz ouvidos de mercador às exigências dos trabalhadores”, garantiu Carlos Silva.
Partilhar: