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Novamente exigidos aumentos salariais

​O Secretariado da Febase aprovou a reivindicação de uma atualização salarial para 2015 nos setores bancário e segurador.

 

Nos últimos anos os trabalhadores do setor financeiro – banca e seguros – não têm visto os seus vencimentos atualizados. O Secretariado da Febase, na sua última reunião, considerou que a situação não pode continuar, pelo que decidiu, a exemplo do que tem sido feito, reclamar um aumento salarial para este ano.

A reivindicação não é nova e os Sindicatos tomaram já como questão fundamental conseguirem um ajustamento nos salários dos trabalhadores que representam. Este assunto está na agenda da Federação para as mesas negociais dos setores bancário e dos seguros.

Na negociação do CCT da atividade seguradora, que se iniciará este ano, a revisão da tabela é uma das reivindicações a ser apresentada pelo STAS e pelo SISEP, pois há cinco anos que não há atualização.

Também os Sindicatos dos Bancários voltaram a formular a mesma exigência, à semelhança do que têm vindo a fazer desde 2011.

Recorde-se que em 2011 foi feita uma proposta de aumento salarial às instituições subscritoras do ACT, que responderam com uma rejeição, argumentando falta de condições. Simultaneamente, denunciaram a convenção em vigor.

Desde então, e no decorrer das negociações de revisão do acordo coletivo, os Sindicatos dos Bancários têm anualmente insistido na necessidade de se proceder a um ajustamento na tabela – matéria nunca posta de lado pelas IC, para quem este assunto é indissociável do processo negocial em curso.

 

Sinais positivos

 

Depois de quatro anos consecutivos sem atualização salarial no setor bancário – de 2011 a 2014 – e cinco no segurador, a Febase considera que este ano o ajustamento tem de ser feito, tanto mais que a banca tem estado a recuperar e as perspetivas futuras são positivas, face aos indicadores económicos do País.

A economia Portuguesa começou a recuperar de uma das maiores recessões das últimas décadas, com o aumento do PIB e a previsão de crescimento. De facto, os indicadores macroeconómicos apontam para um aumento de 2% do PIB entre 2012 e 2016, sendo de 1,5% este ano.

Do mesmo modo, estima-se um crescimento de 4,9% da produtividade aparente do trabalho no período temporal de referência.

Pelo contrário, entre 2010 e 2104 registou-se um aumento de 8,2% dos preços médios, o que significa que, embora a taxa de inflação seja agora negativa, os trabalhadores têm vindo a perder poder de compra.

 

Banca em melhores condições

 

Além das previsões sobre a economia nacional – que se refletirão, naturalmente, no negócio bancário – também a banca apresenta já indicadores positivos. Isso mesmo se conclui de uma análise realizada às contas dos bancos através da recente divulgação de resultados. E independentemente dos números apresentados, todos anunciaram lucros já para este ano.

Ou seja, apesar de ainda se sentir o impacto da crise financeira, o sector bancário já apresenta sinais de recuperação económica, tendo-se vindo a verificar uma evolução positiva na rendibilidade do setor.

Entre os indicadores bancários positivos, destaque-se a redução de custos operacionais desde 2010, conseguida em grande parte à custa do emprego dos trabalhadores. De 2011 a 2013, as instituições bancárias diminuíram os seus recursos humanos em cerca de 6% e o seu número de balcões em quase 12% – prova inegável de uma considerável redução a nível de custos, o que permitiu reequilibrar os seus rácios de cost to income.

Refira-se que só em 2014 o rácio cost to income sofreu uma redução de 20,9% face ao período homólogo, o que indicia o aumento da rendibilidade dos bancos nos próximos trimestres.

Por outro lado, a diminuição acentuada do rácio de transformação (créditos-depósitos) em 83% desde 2011 demonstra que o financiamento do crédito venha a ser feito quase totalmente através dos recursos captados.

Razões mais do que suficientes para que as IC não rejeitem o ajustamento salarial reivindicado pelos Sindicatos dos Bancários da Febase.

 

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