Outros artigos:

Sindicatos denunciam perseguição de trabalhadores pelo BCP

​Os Sindicatos da Febase reuniram-se, com caráter de urgência, com a administração do BCP para exigirem que o banco termine imediatamente a perseguição aos trabalhadores que recusaram rescindir o contrato.

O BCP transferiu um grupo de trabalhadores para a recém-criada Direção de Recuperação de Baixos Montantes (DRBM), numa situação que pode configurar assédio moral.

Trata-se de trabalhadores que há já algum tempo e por mais de uma vez foram convidados pelo BCP para rescindirem os contratos de trabalho ou aceitarem reformas antecipadas, mas que rejeitaram. Receberam na altura cartas do banco comunicando-lhes não ter condições para assegurar os seus postos de trabalho, classificando como “excedentários” e enviando-os para casa.

Esta situação foi então contestada pela Febase junto da administração e motivou uma queixa à Autoridade para as Condições de Trabalho (ACT).

Face à intervenção da ACT, o BCP criou a DRBM e transferiu para lá estes trabalhadores, que ao fim de uma vintena de anos de serviço em funções noutras áreas bastantes diversas dedicou-se à recuperação de crédito de baixo montantes.

A Febase, na reunião de 21 de maio, comunicou à administração não aceitar, de modo algum, que o BCP tenha este tipo de comportamento persecutório para com os trabalhadores.

A administração justificou-se dizendo que a criação Direção e a transferência dos trabalhadores deveu-se ao facto de ter verificado que se tornou insustentável a sua manutenção nos postos de trabalho de origem.

Créditos

A acompanhar a mudança profissional, o BCP decidiu também retirar à esmagadora maioria daqueles trabalhadores a isenção de horário, o que significa cortes nas remunerações que podem, em alguns casos, chegar aos 50%.

Estes cortes estão a gerar situações sociais muito difíceis, com alguns trabalhadores sem capacidade para cumprir o pagamento de créditos, nomeadamente ao BCP.

Face à frontal rejeição assumida pelos Sindicatos da Febase, a administração do BCP disponibilizou-se a rever a sua posição, procedendo a um ajustamento dos créditos dos trabalhadores para com a instituição.

No final da reunião, a administração não mostrou qualquer abertura para alterar a situação criada àqueles trabalhadores, com o argumento, entre outros, de que continua obrigada a cumprir os compromissos assumidos com a DGcom.

No entanto, admitiu rever o valor das indemnizações por rescisão ou reforma, através de uma análise casuística.

Reuniões de trabalhadores

Face ao resultado do encontro com os responsáveis do BCP, as Direções dos Sindicatos irão proceder, no decurso da próxima semana, a reuniões com os respetivos associados, em hora e local a definir, para prestarem esclarecimentos.

Mas, independentemente das reuniões, a Febase alerta todos os trabalhadores para se dirigirem aos serviços jurídicos dos seus Sindicatos, de forma a serem elucidados e aconselhados.

Partilhar: