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Desemprego vai continuar em alta

​A recuperação laboral está a ser feita de forma bastante lenta e ficará bem abaixo dos níveis registados no período pré-crise, alerta a OCDE no Relatório de Emprego 2015

A taxa de desemprego nos 34 países da OCDE deverá continuar a descer nos próximos 18 meses, atingindo os 6,5% no último período de 2016, refere o Relatório de Emprego 2015 da OCDE, agora divulgado.
Portugal foi um dos países mais atingidos pela crise económica e financeira, elevando o desemprego para níveis históricos.

Desde 2013, a taxa de desemprego tem registado uma queda, ainda que de forma bastante lenta, caindo de 16,8% para 13%.

Os últimos dados sugerem a possibilidade de uma desaceleração nessa trajetória, embora seja expetável que de forma temporária, uma vez que a economia deverá recuperar até ao próximo ano.
Apesar de tudo, a Organização prevê que a redução da taxa de desemprego em Portugal seja uma tarefa árdua, uma vez que os desempregados de longa duração (mais de um ano) atingem quase os 60%.
Um dos maiores desafios para Portugal será também a redução da taxa de desemprego jovem, uma das mais altas da OCDE (33,4%).

Segundo a OCDE, o emprego em Portugal vai crescer apenas 0,5% e 0,7% este ano e em 2016, respetivamente.

Dos países com uma taxa de desemprego elevada, Portugal será, nas previsões da OCDE, o que menos emprego criará: 12,3% da população ativa estará à procura de trabalho em 2016.

Salário mínimo

Em 2013, os impostos e contribuições por parte dos trabalhadores portugueses com salário mínimo era relativamente alta para os padrões da OCDE.

À subida do salário mínimo para 505€/mês em 2014 juntou-se uma redução de 0,75% nas contribuições para a Segurança Social, embora os novos trabalhadores tenham ficado de fora. No entanto, estas medidas podem não ser suficientes. Promover mais benefícios fiscais para os trabalhadores ajudaria a que o rendimento mínimo disponível das famílias aumentasse.

Políticas ativas de emprego

As políticas ativas de emprego ajudam os desempregados a ligarem-se de forma mais efetiva às oportunidades de trabalho. Tal consegue-se através de uma maior e melhor motivação dos candidatos mas, para isso, é necessário melhorar também as oportunidades de emprego.
Dada a elevada taxa de desemprego em Portugal, o investimento nestas políticas tem sido relativamente baixo. Investir na assistência à procura de emprego e numa melhor qualidade dos postos de trabalhos ajudaria a uma redução mais acelerada da taxa de desemprego.
Em 2012, o investimento português em políticas ativas de emprego situava-se abaixo da média da OCDE.

Necessário agir

Segundo o relatório, o desemprego de longa duração permanece bastante alto. Um em cada três trabalhadores que procuram emprego na OCDE estão desempregados há mais de um ano, o que equivale a 15,7 milhões de pessoas.
Tal como em Portugal, a taxa de emprego jovem na maioria dos países da OCDE permanece abaixo nos níveis registados antes da crise.
O relatório indica ainda que a carreira laboral de uma pessoa é determinada pelos primeiros dez anos de trabalho. Os jovens que terminaram o ensino escolar durante a crise e tiveram dificuldade para encontrar emprego podem ter as suas oportunidades de carreira comprometidas.

Apesar da descida, a taxa de desemprego nos países da OCDE continuará bastante alta no final de 2016.

“O tempo está a esgotar-se para prevenir que as cicatrizes da crise se tornem permanentes, com milhões de trabalhadores presos no fundo da escada da economia”, referiu o secretário-geral da OCDE, Angel Gurría, instando os governos a agir para que os trabalhadores não fiquem presos para sempre ao desemprego e aos empregos precários.

Trabalho parcial aumentou

O relatório da OCDE refere ainda um aumento do trabalho em part-time, de 18,6% antes da crise para os 20,6% atuais. A Holanda regista a taxa mais alta (51,7%).
Em diversos países, as pessoas optam por trabalhar em part-time mas nos países mais afetados pela crise – como Portugal, Grécia, Espanha e Itália – a maioria dos trabalhadores em part-time procuram um emprego a tempo inteiro.
Destaque ainda para a queda no aumento salarial, de 1,8% entre 2000 e 2007, para 0,5% desde esse período.
Se a contenção salarial ajudou a estancar a perda de emprego durante a recessão, a verdade é que esse abrandamento provocou um decréscimo do rendimento das famílias, piorando consideravelmente as condições de vida.
O Relatório de Emprego 2015 da OCDE pode ser consultado aqui

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