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MAIS já tem novos Corpos Gerentes

​Direção, MECODEC, Secretariados das Secções Sindicais de Empresa, Regionais, de Reformados e Conselho Geral tomaram posse ontem, dia 17 de abril, numa cerimónia realizada na UGT. “Chegou o momento de fazer todas as mudanças”, anunciou Rui Riso.

Perante um auditório muito bem composto de convidados que fizeram questão de felicitar pessoalmente os vencedores das eleições, a presidente em exercício da Mesa cessante deu posse aos novos Corpos Gerentes do MAIS.

Iniciando a cerimónia dando posse a si mesma como nova presidente da MECODEC, Paula Viseu prosseguiu legitimando a mandato de cada membro da Mesa, da Direção, dos Secretariados de Empresa, Regionais, de Reformados e do Conselho Geral.

“É bom vermos o movimento sindical renovar-se”, concluiu Paula Viseu, congratulando-se ainda pela paridade de género alcançada na Mesa.

Agradecendo aos sócios, à MECODEC cessante e aos trabalhadores do SBSI pelo apoio à Mesa “no complexo trabalho que é pôr de pé o processo eleitoral”, Paula Viseu deixou uma certeza: “Agora vamos trabalhar. São muitos os projetos para dar vida, muita coisa para alterar, modificar, e especialmente tornar realidade um sonho de muitos anos que muitos de nós acalentamos, que é o sindicato nacional. A MECODEC agora eleita está pronta para dar corpo, dentro das suas competências, a tudo para que for solicitada”.

Carlos Marques:

“Dúvidas desvanecidas”

O presidente da STAS, falando também em nome do SISEP, trouxe “uma palavra de solidariedade dos trabalhadores dos seguros não só para o que é a luta diária dos trabalhadores e trabalhadoras bancárias no sentido de melhorar as suas condições de vida, mas também no grande projeto em que estamos todos envolvidos: a criação do sindicato nacional”.

Carlos Marques continuou a sua intervenção na qualidade de secretário-geral da Febase, considerando que “se houvesse dúvidas da importância e da resposta que os trabalhadores bancários deram no referendo do ano passado acerca da constituição de um sindicato nacional, essas dúvidas estão certamente desvanecidas com o resultado eleitoral”.

“Vale a pena caminhar para rapidamente termos este objetivo atingido e termos a possibilidade de no setor financeiro e em Portugal dispormos de um sindicato que, pelas suas características, seja inovador, moderno e propicie aos seus sócios e sócias aquilo que dele desejam, que é termos melhores condições e caminharmos no sentido de um sindicalismo moderno, que dê resposta aos grandes anseios”, frisou Carlos Marques.

Na pessoa de Paulo Alexandre agradeceu a todos que agora deixam funções no MAIS e que fizeram parte do Secretariado da Febase pelo trabalho realizado.

Carlos Marques lembrou as perturbações vividas pela Federação nos últimos meses face ao posicionamento de um dos seus Sindicatos, o que levou à suspensão do seu funcionamento. A situação foi ultrapassada e “a Febase está neste momento em efetividade de funções”, caminhando para ser “um trampolim para o sindicato nacional”.

Carlos Silva:

“Papel do MAIS continua a ser fundamental”

O secretário-geral da central sindical referiu o papel importante do MAIS na conquista da liberdade no 25 de Abril e afirmou que o movimento sindical não está em declínio como muitos apregoam. “O SBSI é o maior sindicato português e sabemos que por força da reestruturação da banca e da crise que se abateu sobre a Europa e sobre Portugal em particular houve milhares de postos de trabalho que se perderam no setor bancário. E a verdade é que temos conseguido resistir”.

Carlos Silva fez votos de que a intenção de criar um sindicato nacional da banca e seguros se materialize no prazo de dois anos, coincidindo com a realização do congresso da UGT. “Desafio os quatro sindicatos a cumprirem o desiderato que os bancários querem de um sindicato nacional”.
Mostrando-se muito satisfeito pela tomada de posse ocorrer na sede da UGT, Carlos Silva deixou rasgados elogios ao papel do SBSI dentro da própria central. “O SBSI é um grande contribuinte líquido para aquilo que a UGT é. Somos uma central de liberdade, democrática e ficamos muito satisfeitos por este grande Sindicato vir aqui à sua casa fazer a tomada de posse.”

“O papel do MAIS para a UGT continua a ser fundamental, no seu apoio, na visibilidade que a nossa central tem no País”, referiu o secretário-geral, que também demonstrou a sua satisfação por ver uma maioria feminina na MECODEC.

Rui Riso:

“A mudança está a acontecer”

O reeleito presidente da Direção iniciou a sua intervenção agradecendo a presença de todos os convidados e aos trabalhadores do Sindicato pelo apoio e entusiasmo na construção da casa que é o MAIS, que “existe porque vocês existem, se dedicam e estão connosco neste projeto”.

Rui Riso foi contundente no seu discurso, deixando “recados” para dentro e para fora. Referiu as mudanças que têm vindo a acontecer, mas também “as que estamos a preparar para o futuro”.

Relembrou as mudanças introduzidas no SAMS e o papel da Comissão Executiva nesse processo. “Isto permitiu que, desde 2013, consigamos transformar a nossa organização por dentro, num caminho de determinação que nos possa conduzir à sustentabilidade da nossa organização e do nosso sistema”, disse, acrescentando: “Não era possível manter o modelo anterior”.

Negociar

Rui Riso aproveitou a ocasião para “corrigir uma narrativa” sobre o que tem acontecido. “Nós só conseguimos negociar com quem quer negociar connosco. E as pessoas que se refugiam em modelos de muitos anos não compagináveis com os dias de hoje e o defendem como futuro seguramente não querem negociar connosco. Existem outros instrumentos legais para conseguirmos fazê-lo”. E acrescentou: “Acontece-nos enquanto negociadores dos trabalhadores bancários e enquanto empregadores de muita gente dedicada mas também de muita gente a quem não conseguimos corresponder à voracidade e alguma falta de escrúpulos.”

“As mudanças no nosso setor e na nossa organização não estão concluídas”. A mudança traz alguma incerteza para muita gente. E não havendo determinação e predisposição para seguir um caminho traçado por outros mas que por vicissitudes várias não o conseguiram pôr em prática, chegou o momento de fazermos todas as mudanças”.

Especificando, o presidente da Direção referiu a mudança no sindicalismo português, transformando os Sindicatos da Febase num sindicato só. “Essa mudança está a acontecer”. “Os processos são demorados, temos de ter muita paciência e muita determinação em não nos afastarmos do objetivo”, frisou.

Inimigos

Rui Riso revelou a sua preocupação com o populismo no sindicalismo. “Sindicatos novos, sem valores de lealdade, de partilha, e sem capacidade de negociar, hoje advogam-se faróis da vida sindical. Sem escrúpulos, sem capacidade de interpretar o direito à greve, fazem greves que param o País”, criticou, dando como exemplos os motoristas de matérias perigosas e os enfermeiros. Do outro lado, adiantou, “temos os sindicatos que não negoceiam, que se sentam permanentemente no CES, acompanham os acordos até ao fim mas não os assinam”.

“São estes os nossos inimigos, porque objetivamente são inimigos do movimento sindical. Os sindicatos andam no movimento sindical para negociar” e “a negociação é para ser respeitada por todos.”

Lamentando o desrespeito da sociedade pelos sindicatos, Rui Riso deixou a interrogação: “O que seria da sociedade sem sindicatos? Sem sindicatos que negoceiam? Seria seguramente uma sociedade muito pior”.

“Esta é a mudança a que estamos sujeitos na unificação dos sindicatos, na reorganização da nossa casa e do movimento sindical. Cabe a todos nós, como cidadãos e membros eleitos das estruturas do MAIS, uma enorme responsabilidade. E a responsabilidade é trabalhar em prol do Sindicato, deixar os casacos da cor à porta do gabinete para trabalharmos em conjunto.”

Quem vier por bem

“Estarei cá para trabalhar e apreciar tudo isso, para fazer peito às críticas, mas também para criticar de uma forma muito acintosa aqueles que estão cá dentro não para ajudar a construir uma obra, mas para destruir. Esses não contarão nunca comigo, como não têm contado. Têm aqui alguém muito determinado a corrigir tudo isso e a denunciar aos bancários aquilo que pretendem para esta organização”, anunciou, acrescentando:

“Venha connosco quem vier por bem, fique à porta quem não nos quer bem. Peço desculpas antecipadas, mas desta vez quem quiser fazer alguma como por esta casa pode vir e estar; quem não quiser, farei tudo para os pôr à porta.” Porque “nós somos eleitos para trabalhar para os bancários”, disse, deixando a promessa: “Fazer tudo o que puder pelos bancários, e fazer tudo para corrigir comportamentos adversos, que normalmente prejudicam o Sindicato dos Bancários”.

Sindicato nacional em 2020

“Quero um sindicato que envolva os quatro Sindicatos a começar com uma base limpa, com pessoas que tenham como objetivo claro defender as pessoas que representam e não outros interesses”.

E concluiu: “Vamos ter um ano de muito trabalho. Gostaria muito que no primeiro semestre de 2020 estivéssemos em condições de fechar a porta deste Sindicato num dia e no outro abrir um novo sindicato, com uma dinâmica diferente.”

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