As decisões tomadas relativamente à suspensão dos serviços clínicos do SAMS, exceto no que se refere ao Hospital dos Olivais, foram articuladas com a Direção Clínica após avaliação do quadro de pessoal disponível.
A opção por manter o Hospital em funcionamento dependia do reforço das suas equipas, que se encontravam limitadas pelas quarentenas impostas aos nossos profissionais por outras entidades onde também trabalham, ou por outros impedimentos.
À data não tínhamos qualquer caso de COVID-19 no nosso universo de profissionais nem de doentes – sendo que todos são rastreados no momento do internamento.
A suspensão da atividade no Hospital dos Olivais não foi uma decisão de gestão, mas uma determinação da DGS perante o número de casos positivos detetados, maioritariamente entre profissionais.
O Hospital dos Olivais foi colocado ao dispor do SNS desde o início do processo, como já foi referido no momento em que foi explicado porque tínhamos interrompido a atividade programada. No entanto, e perante a ocorrência do passado dia 20, são obrigatórios vários procedimentos de higienização, que ocorrerão nos próximos dias – e logo que terminados todos os procedimentos integrará a rede de hospitais privados e do terceiro setor de apoio ao SNS.
Todos os nossos profissionais “positivos” deixam de prestar cuidados no momento em que é conhecido o resultado do teste, entrando em recolhimento obrigatório vigiado.
Quem conhece o nosso Centro Clínico sabe que reunimos todas as condições para, em período de normalidade, atendermos todos observando a segurança que se impõe.
Coisa diferente é fazer cumprir as regras impostas pelas exigências do quadro de pandemia que vivemos, como seja o distanciamento nas salas de espera.
É público que estas nossas decisões e determinações lamentavelmente têm sido exploradas até à exaustão por interesses que nada têm a ver com a defesa da saúde dos nossos beneficiários, utentes e sobretudo do SAMS. Como já foi dito, haverá tempo para o combate político e para o combate sindical. Por agora temos outro combate a travar e a vencer.
Assim, esclarece-se que:
- Entre ter de explicar porque suspendemos a atividade do Centro Clínico ou ter de explicar porque mantivemos um enorme foco de contágio, em defesa dos nossos beneficiários, trabalhadores e utentes, dos mais novos aos mais idosos, optámos pela primeira;
- Entre proteger os nossos doentes de eventuais contágios ou manter a atividade cirúrgica programada, optámos pela primeira;
- Entre a segurança dos doentes ou os cuidados prestados por trabalhadores exaustos por não terem quem os substitua, optámos pela primeira.
- Entre manter a quimioterapia e radioterapia a funcionar no Centro Clínico ou distribuir os doentes por outras unidades, optámos pela primeira;
- Entre manter a diálise em funcionamento ou procurar distribuir os hemodialisados por outras unidades, optámos pela primeira;
- Entre garantir a prescrição de medicação urgente ou enviar os doentes para outros serviços, optámos pela primeira;
- Entre ter de explicar porque optámos pelo lay off agora ou ter de explicar despedimentos mais tarde, em defesa da manutenção dos postos de trabalho optámos pela primeira;
- Está assegurado o acompanhamento de grávidas, o fornecimento de medicamentos hospitalares, os pensos especiais, a urgência pediátrica e a ginecológica e, como foi anunciado, a renovação da medicação – e continuaremos a procurar soluções para as mais diversas situações;
- Com a evolução do surto que se verificou entre os nossos profissionais, sendo que alguns repartem a sua atividade entre várias das nossas clínicas e o hospital, havia que travar a cadeia de contágio. E entre a proteção dos nossos beneficiários, trabalhadores e utentes e uma medida radical e impopular, optámos pela primeira.
O respeito que temos pelo SAMS, pelos nossos beneficiários e utentes e pelos nossos trabalhadores obriga a escolhas e a decisões difíceis. Umas e outras são criticáveis, mas foram tomadas em defesa de todos.
Neste quadro de grande adversidade consideramos que o pior que se poderia fazer era agir como se estivéssemos em plena normalidade, procurando manter tudo como estava – independentemente dos riscos de contágio, da exaustão dos nossos profissionais e independentemente da observância de regras das autoridades de saúde. Não! Esse nunca será o nosso caminho.
Continuaremos a trabalhar cada dia para encurtar o período de suspensão. No que depende de nós, não pouparemos esforços. Contamos com a compreensão de todos.
Lisboa, 27 de março de 2020

