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Concentração: “Isto foi só o começo da luta”

​Centenas de bancários manifestaram-se esta tarde frente à APB para exigir aumentos justos nos salários e pensões de reforma. E se a banca não evoluir na sua proposta de 2% a luta vai continuar, garantiram os presidentes do Mais Sindicato, do SBC e do SBN.

Apesar da chuva e vento intensos, centenas de bancários no ativo e na reforma concentraram-se na tarde de quinta-feira, dia 8 de fevereiro, junto ao edifício da Associação Portuguesa de Bancos (APB), em Lisboa, em protesto pela posição “miserável” das Instituições de Crédito (IC) na negociação salarial para 2024: aos 6% reivindicados pelos Sindicatos da UGT responderam com 2%.
O mau tempo não desmotivou os manifestantes, que empunhando cartazes gritaram palavras de ordem como “lucros máximos…aumentos mínimos”, “basta! Por trás dos números estão vidas”, “bancários reformados continuam desprezados”, “APB, escuta, os bancários estão em luta”, “para os bancos milhões, para os bancários tostões” e “trabalhámos para os vossos lucros, queremos aumentos justos”, entre outras.

“A fibra dos bancários”
No final, os presidentes do MAIS, do SBC e do SBN, Sindicatos que organizaram a concentração, que contou com o apoio da UGT, deixaram a garantia de que este foi apenas o início da luta.
“Apesar deste temporal estamos aqui. Isto mostra a fibra dos bancários na luta e vamos continuar”, disse António Fonseca, do MAIS, sublinhando a presença de trabalhadores do Norte, do Centro e do Sul.
O presidente do Mais Sindicato recordou que esta é “uma luta ibérica”, pois trata-se de uma iniciativa conjunta dos Sindicatos dos Bancários da UGT com a UGT de Espanha e as Comissiones Obreras. Assim, também os bancários espanhóis saíram à rua neste dia.
“Temos de continuar a nossa guerra, temos de continuar a nossa luta. Não podemos aceitar míseros 2% de aumento quando os bancos têm tantos e tantos milhões de lucro. Basta!”, frisou.
António Fonseca dirigiu uma palavra especial aos reformados, que só têm uma forma de aumentarem a sua reforma: pela negociação da tabela. “Não têm possibilidade de ver a reforma indexada aos produtos que vendem ou aos objetivos cumpridos. Por isso a vossa luta é a nossa luta.”
O presidente do MAIS salientou a importância de os bancários “gritarem” o seu descontentamento e fazerem ouvir a sua voz. “Isto é só o começo para que as nossas negociações continuem com força.”

“Isto é o início”
 “Os 2% que a banca nos quer dar está muito aquém da justa valorização dos trabalhadores e reformados bancários”, afirmou Helena Carvalheiro, do SBC, ao explicar as razões da realização da concentração.
A valorização das carreiras e o aumento das reformas no setor, que “são as mais baixas de todos os setores de atividade”, são outros dos motivos, adiantou, frisando que a manifestação foi “só o início da luta”.

“insatisfação”
Por sua vez, Mário Mourão, do SBN e líder da UGT, sublinhou que a concentração é a forma dos bancários demonstrarem “a sua insatisfação pela resposta que a banca tem dado aos Sindicatos e aos trabalhadores, que contribuem para os milhões de lucros que a banca ao fim do ano distribui aos acionistas”.
Esses lucros, sublinhou, “devem-nos aos bancários, ao seu esforço, à sua exigência, muitas vezes ao não cumprimento do horário estabelecido”.

Negociações
Para esta quinta-feira estava agendada uma reunião na APB entre o grupo negociador das IC subscritoras do ACT do setor e os Sindicatos da UGT, mas que foi adiada pela banca. A justificação foi estarem a analisar uma proposta de acordo que implica diversos cálculos, que ainda não estavam concluídos.

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